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Participações e Fotos 2006/07
Crónica do 4º Orijovem

29-09-2006
A zona de Mora foi o local do 4º Orijovem, o estágio de Orientação para Jovens.
Texto e Fotos de Nuno Pires 
De 1 a 7 de Setembro, Mora e as suas redondezas foram calcorreadas por cerca de 50 jovens Orientistas no 4º Orijovem, uma iniciativa em modelo de Estágio para jovens dos 8 aos 18 anos. Raquel Costa, Lidia Magalhães, Tiago Aires, Pedro Nogueira, António Aires e Manuel Dias deram corpo ao grupo de monitores que puseram em pé esta iniciativa, já na sua 4ª edição, com o apoio da Federação Portuguesa de Orientação. Divididos em quatro grupos, consoante idade e evolução na modalidade, todas as actividades de treino foram cuidadosamente preparadas, estando adequadas quer em exigência técnica, quer física ao nível dos Atletas presentes e aos aspirantes a Atletas... 
A minha presença no Orijovem foi uma experiência muito divertida e gratificante. Estando de férias neste período e com planos para ir à prova em Sevilha, foi-me permitido integrar o grupo e participar nas actividades, conciliando o lazer no Parque Ecológico do Gameiro, onde se montou o quartel-general do grupo, em acampamento, com os treinos específicos de Orientação. 
Neste aspecto, apesar de estar numa faixa etária fora dos participantes alvo, muitos jovens que lá estiveram têm muito mais tempo de Orientação que eu, o que permite trocar ideias, confrontar opiniões e aprender com os ensinamentos dos monitores, cuja larga experiência na modalidade é colocada ao dispôr de todos, sem condicionalismos, criando-se um espírito de grupo que ultrapassa as cores dos clubes. Esta situação contribui obviamente para o sucesso do Orijovem, dos seus objectivos, e na formação dos Atletas de amanhã. 
Dado ter já apanhado o comboio em movimento e ter montado o meu apartamento T0 , vulgarmente conhecido por tenda, á luz dum frontal, somente dia 3 pela fresca conheci o belo local à beira-rio, para imediatamente começar o primeiro treino, de azimutes. O mapa não tinha nenhuma informação disponível, a não ser o esquema do percurso teórico. O terreno era contíguo ao Parque e desta forma após recebermos o mapa no triângulo, nada mais restava do que confiar na nossa bússola e seguir em frente para encontrar as balizas, tentando minimizar os desvios. Algo que não fiz mas devia ter feito era a aferição do passo, ou seja, sabendo quantos passos precisamos para percorrer 100m, calcular com base na escala do mapa, a distância a percorrer entre pontos, de forma a após a distância percorrida, ter a noção de que, sem erros, já deviamos ter tropeçado no ponto e com erro de desvio, ele devia estar ou à esquerda ou à direita, de forma visível. 
À tarde, a caravana seguiu para Mora, revivendo o Sprint Urbano da Última prova aqui realizada pelo CPOC, percorrendo novamente as pacatas ruas desta localidade. O calor de Verão que assolava nestes dias o Alentejo deixava as vias públicas por nossa conta... Logo após o Sprint Urbano, um novo desafio, espectacular... Quem teve a oportunidade de realizar o Trail-O de Mora em Março passado deve lembrar-se do Jardim Municipal... Agora imaginem o mesmo espaço com 27 pontos em que as balizas não seriam maiores que caixas de fósforos e marçação com SI Card num percurso formal de 900m carregado de mudanças de direcção... O super Sprint de Mora foi uma actividade sem paralelo... O verdadeiro stress... 

Para a noite, ficou uma sessão teórica, onde se analizou treinos e se trocou impressões... No final, alguns elementos do grupo cuja disciplina ficou a desejar tiveram o ´prazer´ de repetir o treino de azimutes para levantar as balizas da manhã... 
O dia 4 levou-nos pela manhã a Pavia, para um treino de curvas de nível... Carreiros fora do mapa, só castanho e verde... e sem bússola... Se os monitores fugissem e fossem à Feira de Carcavelos vender as bússolas do pessoal, ficavam ricos... Fora de brincadeiras, este treino, pela descrição acima é por si só o garante da necessidade de ler o relevo ao pormenor. Ou se sabe, ou se aprende... 
O resto da tarde foi passado no Parque do Gameiro, em actividades desportivas à beira-rio, com canoagem, natação, ping-pong e tudo o que estivesse disponível. À noite, em vez de irmos tomar um cafézinho após o jantar, fomos até à localidade de Cabeção, a cerca de 3 Km, onde novo Sprint Urbano com mapa de foto aérea agitou a calmaria dos habitantes... Novamente os artistas menos bem comportados durante o dia não receberam o bilhete de regresso no autocarro e tiveram direito a visitar a pé a estrada da Mata Nacional para o Parque do Gameiro... Como sou um tipo porreiro, vim atrás de alguns na minha viatura, iluminando caminho e fornecendo água... No dia 5, de manhã, rumámos a Pavia, à zona da Arena do mapa WRE de Casas Velhas, onde um treino de multi-técnicas constituiu um desafio, pela quantidade de pedras e formações rochosas existentes. Azimutes, Corredores, Linha e percurso Formal estavam no mapa. Para quem conhece o sítio, ainda bem que o mapa tinha zonas em branco, para não baralhar ainda mais... Os mais pequenos jogaram ao polícia e ladrão, onde o roubo de notas nos pontos era prejudicada pelos monitores, que perseguiam os Atletas para lhes tirarem a massa. Alguns jovens criaram algumas estratégias de diversão, largando notas, escondendo-as, etc... 
Á tarde, Relocalização a par... dois a dois, cada Atleta alternava em fazer o percurso no mapa, enquanto o outro o seguia com o mapa escondido... Após alguns pontos, tinha de indicar onde estava, relocalizar-se... e trocavam de papéis... Neste treino, era possível e ´aconselhável´ trocar as voltas ao companheiro de treino e assim levá-lo a ter maior dificuldade em reconstruir todo o trajecto efectuado sem mapa... Muito útil e interessante para quando nos perdemos em prova... 
À noite, nova sessão teórica... O dia 6 começou com um mini-Challenge, em equipas de seis elementos que tinham que picar o maior número de pontos de controlo possível dentro do tempo estabelecido, distribuídos quer em Orientação Pedestre, Ori-BTT e canoagem. Havia locais e janelas de tempo de transição obrigatórios, pelo que cada equipa devia construir a melhor estratégia para atingir o máximo de pontos de acordo com as capacidades de cada um... A tarde serviu para treino de partidas em massa, onde a cada três pontos, grupos de Atletas neutralizavam e partiam ao mesmo tempo, para testar situações de pressão pela presença dos companheiros. Já no cair no pano do Orijovem, a manhã de dia 7 foi, obviamente, o dia da Estafeta, num pedaço do mapa de Mora - Casa Branca. Os melhores na primeira pernada, os assim-assim na segunda e os mais pequenos na última, estando a zona de partidas e passagem de testemunho num local onde os Atletas passavam em linha de vista, recebendo os já habituais incentivos da praxe. 
No final do almoço, toca a recolher a trouxa e desfazer as tendas. O Orijovem estava a acabar... e a ida da Sevilha, para muitos, já estava no horizonte. 
Saliento a forma impecável como os monitores tratam a malta jovem, mantendo a disciplina em tom de brincadeira, como levam a sério todos os treinos e actividades de Orientação, dando o exemplo aos mais novos e a todos os que lá estiveram. A organização, o cumprimento de horários, tudo funciona como um relógio, e se as actividades começam cedo, mais cedo eles têm tudo a postos para a realização das mesmas, nunca esquecendo a água e a fruta, que ajudaram a combater o forte calor que se apanhou nestes dias. Que o Orijovem se repita, noutros locais e noutras datas, ou pelo menos mais vezes, mesmo que aqui nesta bonita zona do Alentejo...
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