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Participações e Fotos 2006/07
Eu Estive Lá Novamente....

28-09-2006
Tal como no ano passado, antes do arranque das competições da FPO da temporada de Orientação, o Ori-Estarreja organizou o Campo de Treinos de Verão, desta feita a segunda edição. A data escolhida foi entre 25 e 28 de Agosto, tendo como palco mapas e terrenos na zona de Mira, Tocha e Gafanhas-Sul.
Crónica de Nuno Pires Fotos Gentilmente cedidas pelo Bruno Nazário


O modelo do estágio foi semelhante ao do verão transacto, mas o encurtamento de seis para quatro dias não significou que os participantes tivessem menos ´trabalho´ à sua frente. Este ano, antes mesmo de começarem os treinos, cada participante indicava, com base no programa de festas distribuído, se pretendia integrar um de dois grupos: o Elementar ou o Avançado. A diferença entre grupos tinha em conta o grau de exigência física e técnica, já que as distâncias diferiam, bem como a informação retirada do mapa, com vista ao treino específico em causa. Cada participante podia adequar o nível à sua experiência ou aos seus objectivos. Neste aspecto, todo o planeamento e montagem dos percursos efectuados pelo Bruno Nazário e pela Cristina Estrela foi de qualidade, superando o realizado no I Campo de Treinos, sendo necessário um espiríto de sacrifício maior aos participantes para aguentar os kilometros e as dificuldades propostas, bem como aos monitores, na estafa de colocar e retirar pontos entre sessões.
Alguns dos melhores Atletas de Orientação portugueses marcaram presença neste fim de semana alargado, o que revela o interesse quer desta iniciativa, quer a indicação clara que o Campo serve não só para preparar o início de temporada, mas também como forma de realizar treinos técnicos de Orientação como se faz amiúde no estrangeiro.
Com apenas um ano de Orientação em escalões de Competição e estando com a forma física pouco apurada, optei por integrar o grupo Elementar, de forma a realizar os treinos sem cair em desgastes físicos que pudessem comprometer o discernimento e concentração e recuperar bem de dia para dia. Apesar de ter consciência que os mapas do grupo Avançado potenciam aprendizagem adicional, também poderiam tornar frustrantes algumas sessões por erros em demasia, tirando o gozo de aprender.
Esta crónica já estava pensada deste o dia em que me inscrevi para o II Campo de Treinos de Verão, no seguimento da ´Eu estive lá´, publicada neste site à cerca de um ano. A fórmula resultou, descrever e comentar cada sessão, nos seus objectivos, nas dificuldades encontradas, no que se pode retirar como lição... Aproveitando as potencialidades das novas tecnologias levei um GPS, fazendo o registo das trilhas efectuadas. Em casa, e à posteriori, ´colei´ as trilhas aos mapas, permitindo desta forma analizar a navegação e as opções tomadas, identificando lacunas que espero com a prática da Orientação se preencham e cada vez mais sejam menores.
Dia 1 - Model Event - Praia de Mira (Este) - Percurso Formal
 Foi o ´model event´ do campo de treinos, havendo um percurso igual para o Elementar e para o Avançado, mas com o mapa sem carreiros e aceiros neste último. Tendo já chegado ao final da manhã, alguns atletas mais madrugadores já haviam terminado o seu. Após os cumprimentos da praxe aos colegas na zona de partidas, ao saber-se que faria parte do grupo Elementar, fui ´obrigado´ pelo Tiago Aires a levar o seu mapa, tornando a tarefa de navegação um pouco mais complicada. A segurança de usar as referências lineares habituais existentes no mapa resumiu-se às formas de relevo mais proeminentes e mais ou menos lineares, tendo como seria de esperar alguns amargos de boca na aproximação de alguns pontos. Logo nesta sessão compreendi que a leitura do relevo é algo a melhorar e a dar mais importância na progressão, algo que em prova às vezes, com o ´stress´ leva-nos a tomar más opções, por descuido e falta de contacto com o mapa e terreno em simultâneo.
Dia 1 - Treino 1 - Praia de Mira (Oeste) - Multi-Técnicas
 Este treino permitiu treinar algumas técnicas em separado, mas em percurso contínuo... Azimutes, confiando cegamente na bússola até à imediação dos pontos, Corredores, mantendo o contacto com o mapa sem abandonar a zona de informação disponível, Linha, onde a leitura ao pormenor das formas de relevo e vegetação são o principal em detrimento da bússola e o Score, onde a opção do atleta pela melhor ordem de controlar os pontos permite minimizar distâncias e poupar tempo. É sem dúvida um treino interessante, onde é fácil identificar problemas de navegação, sejam eles de leitura de mapa, ou navegação com bússola. Estar confiante em cada uma das técnicas e saber como reagir ao tipo de navegação exigida e às dificuldades que podem apresentar é a lição que tiro. Os desvios não propositados à bússola, a identificação clara do relevo no terreno (mais ainda na zona da linha que nos corredores) foram situações que me deparei e que urge trabalhar.
Dia 2 - Treino 2 - Cantanhede - Relevo (curvas de Nível)
Este treino matinal tinha duas partes, mas ambos os mapas só continham curvas de nível e verdes. Mesmo as clareiras desapareceram... Não do terreno, do mapa... Não havia ´amarelos´... A primeira parte era um percurso em linha, onde a identificação de balizas no terreno (em cima ou fora da linha) tinha que ser memorizada para reportar ao treinador. Foi pessoalmente o treino mais exigente do campo de treinos, já que à parte dos chamados ´erros não forçados´, é na leitura do relevo que residem as minhas maiores dificuldades, principalmente em terrenos mais costeiros, tipo pinhal mediterrânico, com normalmente relevos suaves, pormenorizados.. enfim mais técnicos e detalhados. A segunda parte consistia num percurso formal, onde era possível já ´sair da linha´ mas continuar a navegar essencialmente pelo relevo.
Dia 2 - Treino 3 - Palheirão - Distância Média com Micro-O
 A inclusão de um treino com Micro-O no meio dum percurso formal, havendo mudança de mapa e escala , de 1:10000 para 1:5000 e no final novamente a 1:10000, trouxe novas situações num já difícil mapa do Palheirão, na sua zona mais técnica. Para começar, na parte do percurso formal, aparece a necessidade de ´simplificar o mapa´ e avançar pelo seguro. É praticamente impossível identificar todas as cotas e pequenos montículos de terreno numa navegação ´a direito´ com vegetação à mistura para rodeiar , mesmo a ritmo de corrida lenta. Saber quando ´filtrar´ a informação do mapa e procurar soluções de compromisso que permitam aproximar dos pontos e aí sim, atacar o ponto ao pormenor, foi o ensinamento que tirei desta parte do treino. O Micro-O, em floresta, com as penalizações inerentes à escolha da baliza errada ou o tempo que não podemos dispor para para e pensar nem hesitar faz desta variante da Orientação um desafio técnico bastante interessante. Pena que ainda esteja a aparecer nas competições e somente em alguns escalões, pela logística associada à sua generalização. A mudança de escala de mapa foi também uma situação nova para mim , tendo a adaptação instantânea da leitura espacial do mapa com a progressão criado algumas dificuldades, principalmente à saída do Micro-O, onde o mapa parecia ´longe´, bem como os pontos...
Dia 2 - Treino 4 - Mapa de Mira (Oeste) - Nocturna Não participei neste treino.... optei por descansar um pouco mais...
Dia 3 - Treino 5 - Gafanhas (Sul) - Loops Três Loops com 3Km cada em percurso formal, sendo um tecnicamente mais exigente que os restantes, foi o pequeno-almoço servido neste dia ao grupo Elementar. Para o Avançado, um mapa sem caminhos nem aceiros, os mesmos percursos e pontos, acrescidos duma entrada de 800m de corrida pura, em parte por areia solta à partida para de cada loop, derretendo o corpo e espírito antes dos percursos em si.À parte da distância, um treino sem grande história, já que é uma zona menos técnica do mapa das Gafanhas, com boa rede de carreiros maioritariamente perpendiculares, permitindo usar e abusar dos azimutes com as devidas correcções nos entroncamentos ou na passagem de referências maiores. Acabou por ser a sessão do campo de treinos que, embora apresentasse mais distância, não criou problemas de maior na navegação.
Dia 3 - Treino 6 - Vagueira - Control Picking e Mapa de Memória em Percurso Norueguês
Esta sessão de treino consistia em duas partes, sendo a primeira um percurso formal com 30 pontos e 4km de distância teórica. A ideia base assentava em as opções fossem quase nulas, pela proximidade entre pontos, mas havia constantes mudanças de direcção onde qualquer erro acaba por ser quase intolerável. Uma má saída dum ponto para outro implica um desvio que custa tempo precioso, alguns acabam por ser simultaneamente pontos de ataque ao ponto de controlo seguinte. A concentração neste treino é tudo, a leitura do mapa tem que ser rápida, eficaz e não há muitas hipóteses de ser conservador e procurar alternativas de navegação. É dar com os pontos... Para mim, foi o treino que deu mais gozo, pela adrenalina de estar sempre na ´imediação´ dos pontos e ao mesmo tempo estar em permanência absorvido pela Orientação Precisa. A segunda parte do treino foi em memória, onde no início era possível consultar um mini-mapa com o trajecto para o primeiro ponto. Este mini-mapa somente continha curvas de nível e verdes, não sendo permitido levá-lo durante a pernada. A cada ponto de controlo, o processo repetia-se... novo mini-mapa, nova pernada, nova memorização... É interessante a necessidade de absorver toda a informação necessária para chegar ao ponto na consulta e depois ir reconhecendo no terreno aquilo que pretendemos ao longo da nossa progressão, sem hipótese de recorrer ao mapa. É algo que pode ser transportado para a prova a sério, aumentar a nossa capacidade de navegar diminuindo as consultas de mapa, mas tendo em conta onde estamos e para onde pretendemos ir. Por outro lado, aumenta a capacidade de simplificar e procurar todos os elementos de passagem que realmente interessam, sem dar importância à informação superflua.
Dia 4 - Treino 7 - Dunas da Tocha e Palheirão - Estafetas
 Não sendo possível fazer um estágio sem uma estafetazinha, o último dia do II Campo de Treinos de Verão teve o seu treino final neste formato, com equipas de três elementos sorteados com base no escalonamento definido pelos predicados dos participantes. O sorteio, efectuado na véspera à noite, durante uma sessão onde também foi efectuada a análise aos treinos realizados, bem como algumas trocas de impressões entre monitores e atletas acerca de questões técnicas, acabou por ser madrasto, deixando à priori uma equipa claramente ´favorita´ à vitória na Estafeta. Tiago Aires, Susana Pontes e Rui Botão compunham o trio mais cotado... A forma de dispersão dos percursos, semelhante à usada em grandes competições, e a proximidade dos pontos de controlo entre as variantes, foi o garante para manter agrupados os melhores atletas durante o primeiro terço da Estafeta, o que aumentou a emoção e saudável competitividade entre todos, num ambiente de camaradagem na zona de chegadas e passagem de testemunho.
 No final do Campo de Treinos, uma coisa é certa para mim: todas as sessões revelaram-se importantes, na perspectiva de abordar cada técnica visada. Este género de iniciativa serve não só para aprender, como para evoluir, para olhar para o mapa com mais rigor e melhorar a imagem mental que precisamos construir do terreno, de decidir rapida e eficazmente, de executar com confiança e saber recuperar dos erros sem hesitar, procurando a melhor solução para ultrapassar as dificuldades e desafios que a Orientação nos coloca a cada passada.Congratulo o Ori-Estarreja por apadrinhar esta iniciativa, abrindo as portas a todos que pretendam evoluir na modalidade, sem clubismos de espécie alguma, ao Bruno e à Cristina, incansáveis na preparação e realização do Campo, aguardando que novas edições se mantenham nos planos de futuro, já que poucas são as oportunidades de realizar treino de Orientação técnico com tanta qualidade.
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