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Participações e Fotos 2005/06
Participação no Troféu Internacional de Mora (Crónica)
22-03-2006


Até à data, a melhor prova da Época 2005/06...

Texto e Fotos de Nuno Pires

Algumas fotos mais ´piquenas´ tem links para animações Flash com os Atletas em progressão.... Basta clicar....

Da mesma forma que escrevi sobre a minha participação no POM 2006, o I Troféu Internacional de Orientação de Mora merece uma referência de destaque, pela qualidade global do evento organizada pelo CPOC. Em mais uma ´crónica pessoal´, tendo ilustrar em palavras o que foi o Troféu e a sua envolvente...

    O CPOC, sediado em Oeiras, teve o cuidado de apresentar um programa diversificado para todo o fim de semana de competição, bem como para a véspera, no Model Event, com percurso em terrenos idênticos aos de Sábado e Domingo. A forma atempada com que o fizeram deixou água na boca para estes dias. Provavelmente esta foi a melhor organização e o melhor evento que a época 2005/06 terá. Espero sinceramente que não, a ´bem de todos´ os Orientistas...  

 

    Poucos dias passados do POM 2006 em Abrantes, eis-me de novo na estrada, desta vez a caminho de Mora. A deslocação foi na véspera do evento, na Sexta à noite. Não deu para ir ao Model Event, mas os percursos agendados para 3 e 4 de Março estavam no meus planos. Mora recebeu-me com chuva e vento já a meio do serão e não mais que duas dezenas de pessoas estavam no solo duro, no pavilhão da Secundária.

    Pavia acolheu o percurso de Distância Longa, no Sábado de manhã. O Finish foi colocado à entrada da povoação, as Partidas a 4Km, com direito a autocarro. Um verdadeiro dilúvio caiu pela madrugada e início de manhã, saturando ainda mais os terrenos já causticados durante os dias anteriores. O que seriam linhas de água perfeitamente transponíveis a salto, tornaram-se armadilhas com profundidade imprevisível pela côr térrea dos seus cursos e erosão provocada nos leitos. A organização, numa medida de segurança racional resolveu não cancelar o evento, mas deslocalizar os recursos humanos para as zonas mais críticas, indicando corredores de passagem ao longo da água e minimizando perigos desnecessários para a Formação e Abertos.

  

    O mapa e terreno a Oeste de Pavia era de relevo suave, em terreno de montado pintalgado de oliveiras. Aqui e ali algumas formações rochosas apareciam, essenciamente a abraçar as linhas de água, com alguns verdes à mistura. O resto era terreno essencialmente plano, com mais zonas ´pantanosas´ que o mapa antevia, devido ao clima do dia...

    Muita lebre à solta a correr desalmadamente com o bulício dos Atletas foi uma imagem que retive desde local, que doutra forma poderiam disfrutar dum Sábado calmo nas suas tocas.

    O percurso que efectuei foi de 6,3Km do H21B, e pouco mais de 500m depois de arrancar tive de abordar a primeira linha de água. Vindo a direito do ponto imediatamente anterior, não me parecia que aqueles dois metros de largura de água tivessem numa fracção um metro e meio de fundo... No primeiro passo foi seguro, somente com a sapatilha na água. O segundo deixou-me com água pelo peito, apanhando um susto dos diabos. Literalmente, fui abaixo... À minha esquerda, outro colega sofreu a mesma receita, mas teve de esticar o pescoço. Dissemos algumas asneiras, em tom de concordância e seguimos caminho, rindo-nos do sucedido... Dos tristes, não reza a história.

  

    Sem fazer grandes asneiras nas pernadas, acabei por perder muito tempo das imediações dos pontos, principalmente por não estar muito à vontade com a leitura das formações rochosas à mistura com o relevo. Depois foi a passagem teoricamente por linha segura junto à Casa Branca. Acabei por entrar num caminho paralelo imediatamente ao que limitava o mapa, andando a pastar até avistar um ponto de água à distância (um que tinha água engarrafada...). Lá prossegui, meio desconcertado com o sucedido e a chapinhar pelos terrenos de baixio.

  

    E eis que chego à verdadeira torrente, o curso de água que sensivelmente dividia o mapa a meio e que todos os percursos tinham no trajecto teórico. Se algumas praias no Verão tivessem tanta vigilância, alguns não ficavam lá.... A atravessadela foi de escolha múltipla, por indicação da malta do CPOC... Tipo ´qual o pedaço de frango que mais gosta´... Quer perna, peito ou pesçoco? Há de tudo para o freguês!!! Optei pelo peito...

    Daqui para a frente, fiz os pontos sempre a rolar, já que o relevo estava na primeira parte do percurso... Abrandei o ritmo para aguentar o peso dos terrenos moles e controlar o esforço. Ganhei no que toca à navegação que se tornou segura até ao final... A classificação não foi grande coisa... Só o gozo do percurso Extreme que tive de passar e acabá-lo todo encharcado e carregado de lama valeu a pena. E ainda há quem não goste de provas à chuva. Destas venham mais...

    Mal acabei o percurso, solicitei autorização para recolher algumas fotos no terreno tendo apanhado algumas bem pitorescas, principalmente perto das linhas de água. Partilho-as convosco....

     

    O Parque Municipal de Mora foi palco no Sábado à tarde da actividade de Trail-O. Com o acalmar da chuva, muitos foram os que aproveitaram para testar os conhecimentos de Sinalética. Na véspera, tinha conversado com o Alex Romeiras sobre esta forma de praticar Orientação, e tive vontade de experimentar. A sensação de escolher qual a baliza correcta é singular, e o momento de apertar o alicate provoca um instante de indecisão quando a escolha é mais difícil... A mão parece que treme....

    À parte desde, dedico um artigo ilustrado à prova de Trail-O, com fotos, master map, pontos de decisão, etc.... Uma verdadeira prova virtual...

     

    Para acabar o Sábado em beleza, já ao final da tarde, decorreu o Sprint Urbano em Mora, que permitiu visitar as ruelas desta pitoresca localidade, num percurso extra-competição. A chegada foi curiosamente ´encaixada´ no Recinto onde decorria a IV Feira Nacional do Tomate, cativando os presentes para a presença da Orientação neste espaço.

    Se o bolo de Sábado foi bastante apreciado por todos, a verdadeira cereja apareceu no Domingo, com a realização da prova a contar para o WRE. Junto à nacional que liga Pavia a Vimieiro, a organização montou a Arena, um espaço que partilhava chegadas, vista para ponto de espectadores, com direito a cadeiras de esplanada, bar, fisioterapia e secretariado.

  

    A paisagem do lago era magnífica bem como a baliza colocada na ilha, sendo avistada por todos ao chegar ao local. Presumo que alguns Atletas ainda ´traumatizados´ da natação forçada do dia anterior tenham ficado nervosos com tal visão... Seria o ponto de espectadores?

    O mapa e terreno tinha duas zonas distintas, sendo a primeira idêntica à do primeiro dia, em terreno mais de montado, de boa progressão e relevo moderado. A segunda parte era um hino à Orientação, com a zona mais técnica que alguma vez participei, devido à quantidade brutal de formações rochosas espalhadas no terreno e à forma aldilosa como os percursos foram traçados e os pontos colocados. Neste aspecto particular, o trabalho de cartografia é simplesmente fabuloso e tiro o chapéu aos envolvidos neste processo, quiçá o mais importante para o sucesso de qualquer evento.

    Com a carga de provas do POM 2006 e do dia anterior, comecei o meu percurso a medo, com algumas limitações físicas ao nível dum joelho. Ainda tentei manter um ritmo certinho até à parte técnica, mas uma dor chata apareceu e condicionou a minha prestação. Ia dando com os pontos sem erros... Na parte técnica, tive dificuldades em navegar... Tive de fazer relocalizações montes de vezes e em algumas voltei ao ponto picado para recomeçar as pernadas... Ainda há muito a aprender neste campo quando o detalhe é assim tão grande... Quase a passo terminei a prova, e tenho a sensação que deixei para trás um percurso tão frustrante como desafiador para qualquer Orientista. Espero em breve que este mapa venha a ser ´reutilizado´... Se puder, lá irei novamente, contar pedras outra vez...

    Imediatamente após o final do seu percurso, o Atleta Paulo Franco, dos AA Mafra, fez questão de picar e recolher a baliza da ilha, a nado, num acto solidário com a organização, já que alguém teve de a colocar lá antes do evento e presumo que a água pela fresca da manhã não estivesse muito agradável... Pouco depois, Joaquim Sousa terminava a sua prova...

  

    Em suma, o I Troféu Internacional de Mora foi até à data a melhor jornada de Orientação desta época... A presença de muitos Atletas de nível mundial enriqueceu ainda mais este evento, sendo o domínio dos Eslovacos nos Homens Elite novamente notado, com os dois primeiros lugares do pódium, cabendo a honra maior ao Marian Davidik. O melhor português nos dois dias foi Marco Póvoa, 4º da Geral. Øystein Østerbø, nº10 do Mundo, pulverizou os tempos do WRE no Domingo. Nas Senhoras Elite, Karianne Hauge levou a palma, sendo Lidia Magalhães do ADFA a melhor portuguesa, no 6º lugar da Geral.

    No que toca aos resultados do CP Telecom, novamente o destaque vai para os jovens irmãos Pedro e Bruno Silva, da Zona centro Sul, 2º e 3º, respectivamente, no escalão H15. O resto dos elementos tiveram prestações discretas...


Artigos relacionados
Trail-O em Mora
I Troféu Internacional de Orientação de Mora (TP / WRE)

Links relacionados
CPOC - Clube Português de Orientação e Corrida
Página Oficial do I Troféu Internacional de Orientação de Mora