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Participações e Fotos 2005/06
Participação no POM 2006 (Crónica)
15-03-2006


O fim de semana alargado do Carnaval marca anualmente a realização do Portugal O-Meeting, um evento de quatro dias de Orientação Pedestre.
Desta vez o POM foi em Abrantes...

Crónica de: Nuno Pires

Fotos: Nuno Pires, Jorge Santos, Joaquim Martins, Pedro Monteiro

   Este artigo contém algumas fotos tiradas durante os percursos, gentilmente cedidas pelo Joaquim e Pedro da empresa Foto-Reportagem.

   Visite o ´sitio´ na Internet da Foto-Reportagem, onde poderão entre muitos trabalhos realizados, ver na integra os melhores momentos do POM 2006 captados pelas suas objectivas. Basta clicar no logo...

    Como já devem saber se normalmente visitam o site da SL-Ori, é da minha responsabilidade a edição dos textos e conteúdos que são publicados, à excepção das colaborações do Jorge Santos, da Zona Centro Sul, nos comunicados que redige e do artigo Eu Estive Lá, cuja colaboração do campeão nacional Tiago Aires foi imprescindível pelo know-how que trouxe ao mesmo.

   Nos artigos de Participações e Fotos, é comum fazer um resumo geral das incidências das provas, sem grandes retoques de texto. No entanto, quer para o POM 2006, quer para o evento de Mora, resolvi redigir algo mais elaborado, tipo crónica, embora maioritariamente narrada na primeira pessoa, já que são dois eventos cuja dimensão é superior quer no número de participantes, quer nas vivências que a envolvente transmite. Desta forma, assino os artigos, dando uma perpectiva pessoal às opiniões e comentários nas palavras escritas neste contexto.

    Para quem anda nestas lides à sensivelmente um ano e ouve a cada prova que vai, o regozijo das participações em eventos de vários dias, essencialmente no estrangeiro, por parte dos outros companheiros da Orientação, a minha ida ao POM representava a primeira destas aventuras multi-dias, mas em território luso.

    Quatro dias, quatro percursos, pondo à prova o físico e a mente. Antes mesmo de ir, tracei um objectivo. Ficar nos quinze primeiros do meu escalão, o H21B. Estando em 18º no Ranking da Taça antes da realização desta prova, tudo o que fosse ficar acima desta classificação em cada dia era um degrau superado para cumprir o pensado. Mas seria preciso gerir o esforço e acabar todos os percursos em bom plano. A classificação do POM é o conjunto dos quatro dias... e praticamente todos que figuram no Ranking à minha frente marcam presença...

    De Aveiro, seguiram dois Atletas para o POM 2006: eu e o José Diogo, que acompanhado pela família, que aproveitou para fazer um Entrudo activo, com a companhia dos seus entes próximos. Curiosamente, fiz a viagem para o POM acompanhado pelo Ivan Silva, do Ori-Estarreja, um dos meus mais temíveis ´adversários´ nos Seniores Masculinos B da Zona Norte...

 

José Diogo (M45)

Ivan Silva (M21B) / Nuno Pires (M21B)

Temos tido ao longo da época grandes despiques, alternando posições nas classifiçações. Como devem imaginar, a viagem até Abrantes passou-se num ameno ´picanço´ de palavras, o que só aumentou a vontade de dar o máximo. Sei que em corrida pura não tenho grandes hipóteses, mas quando as provas são mais técnicas, a diferença torna-se reduzida entre nós...

Carlos Silva (M40)

Olga Mineiro (DC)

 

Bruno Silva (M15)

Pedro Silva (M15)

    De Lisboa, foi a habitual comitiva da Zona Centro Sul, assinalando-se a presença de todo o ´clã´ Silva. Pai, Mãe e três filhos, dois deles já a levantar pedra por onde passam... O Bruno e o Pedro... Da Madeira, O Emanuel Abreu, habituado às montanhas insulares....

Emanuel Abreu (M45)

    O POM é a maior prova do calendário nacional. Fazendo o percurso de Domingo parte das provas que contam para o Ranking Mundial (WRE) nos escalões de Élite, a afluência de Atletas de topo é considerável. No total, foram cerca de 1100 participantes, sendo mais ou menos 400 estrangeiros. Muitos vêm a Portugal passar uma quinzena, a aproveitam esta altura recheada de provas para fazer Orientação, sendo notável a prestação de alguns nórdicos com a idade dos nossos pais e avós. Passam pelos portugueses como flechas e os que correm mais lentamente, navegam com tanto à-vontade que o resultado final acaba por dar nas vistas.

Thierry Guergiou (M21E)

    Nos escalões de Séniores, destaca-se a presença dos internacionais franceses, que trouxeram o Thierry Gueorgiu, triplo campeão do Mundo de Distância Média, da selecção Júnior da Alemanha, da armada nórdica, dos Eslovacos que partiram a louça na Vagueira, etc... Dos portugueses, toda a Élite estava presente, à espera de fazer um brilharete num dos dias perante tal concorrência...

    No outro extremo, muitas pessoas a fazer Orientação por lazer, sem fins competitivos, para a ´descontra´, e a participar lado a lado com todos estes campeões nos mesmos minutos de partida...

 

     E eis-nos no Pego, para a prova de Distância Média, num Sábado de vento cortante e chuva miudinha. A maior já tinha caído durante a semana, deixando completamente empastados os terrenos de cultivo e montado, criando barro escorregadio nas encostas das zonas de maior relevo e aumentando o caudal da ribeira que foi necessário atravessar pelos seixos que compunham o seu leito.

 

       Técnicamente, a prova era fácil, talvez fácil demais para um POM... Os pontos eram de rápida localização e o mapa não criava grandes dificuldades. Quem corresse bem, tinha o dia ganho... Tirando a parte final até à chegada, com uma subida para o último ponto e o lamaçal entre ele e o Finish, onde todos passavam a esburacar o terreno, o resto era sempre a rolar... Fiz 13º, fruto da corrida possível e de algumas hesitações no ínício, talvez por nervosismo do que aí vinha... Não foi mau para o tipo de prova que era..  Nos Seniores Élite, o Guergiou dominou como esperado... Foi necessário olhar para o 25º lugar para ver o nome do Marco Póvoa, o melhor português neste dia... Nas senhoras, o mesmo filme, 23º lugar para a Emília Silveira... Daí para cima, havia dificuldade em ler correctamente alguns nomes...

 

     Nestas coisas da Orientação, quem gosta de luxo mais vale ficar em casa. Por opção, resolvi aquirir um pack, em regime de meia-pensão, no Regimento de Infantaria nº2 em Abrantes, bem como todos os colegas do Clube. Ficámos com uma ala de camarata só para nós, em beliche.

    A disciplina nestes sítios é a esperada. Homens para um lado, Mulheres para o outro. Pequeno almoço das 8h às 8h30. Jantar das 19h às 19h30. Muitos hidratos de carbono na comida. O bar de Praças com o café a 25 cêntimos. A água do duche fresca...

       Um ambiente fantástico, com os Atletas a conviver num espaço mais habituado a outras guerras, mas simultaneamente familiar a muitos praticantes desta modalidade.

    Domingo de manhã, alvorada às 7h da matina, para equipar antes do pequeno almoço.... A prova do WRE estava à espera no Pego, desta vez de distância Longa.

    É um tipo de prova que gosto mais, por ser invariavelmente mais física na perspectiva da resistência e o ritmo não ser tão à maluca. Vou no meu passito, as pernadas são normalmente maiores, tento tirar uns azimutes e mal ou bem dou com os pontos...

 

    

    O dia estava solarengo, já permitindo abdicar da t-shirt térmica que isola o corpo nos dias mais chatos. A prova correu como o esperado, mas dei com alguns pontos menos bem... A corrida certinha, sem grandes alterações de ritmo, excepto em algumas subidas em que ir a passo é o melhor remédio ( há quem lhe chame ´o que dá para fazer´).

Jorge Santos (M55)

 Deu para chegar à imediação dos pontos sem problemas, mas duas ou três argoladas monstras deram cabo da média e fizeram-me perder tempo para os primeiros. 20º Lugar, com 1h13m41, para 8,4 Km que na prática devem ter sido quase 11, sem contar com as voltas à roda de alguns pontos...

    Mesmo assim, missão cumprida, chegar ao fim com os pontos picados... Depois do banho e de uma voltita por Abrantes, volto a olhar para o mapa e para os tempos... Como podia ter sido mais fácil...Bastava ter pensado de outra forma, de escolher melhor as aproximações... Bem vistas as coisas, ao optar mais por carreiros para evitar perdidas entre pontos, acabei por correr mais, cansei-me em demasia e a clarividência perto dos pontos ficou condicionada... Não eram assim tão complicados mas agora é tarde...

    Neste dia, o campeão francês não ganhou, foi terceiro, mas um compatriota seu venceu, o François Gonon. É uma questão de características e de treino específico. Esta malta é profissional de Orientação ou quase, e preparam-se para as distâncias pessoalmente mais performantes. Os Eslovacos começaram a mostrar os dentes...

José Lopes (M35B)

João Birra (M21B)

Carlos Pereira (M35A)

   Domingo à noite, Benfica-Porto no Bar de Praças... Uma enchente na Luz e no Bar... Não deu para mais.. Com o jantar no papo e a prova nas pernas, nem vi a segunda parte.... Há-que repousar...

   Venha a próxima... Ainda no Pego, perto da central termoeléctrica, encontra-se o Hotel Abrantur... Foi aqui que se realizou o terceiro percurso, na Segunda ao final da manhã... Parecia Primavera, um sol radioso com os nórdicos em tronco nú a tostar um pouco nos jardins do Hotel... Parecia Primavera, porque para o tuga, a temperatura ainda não dá para estas descontrações e o fato de treino foi traje de gala...

   As distâncias neste dia eram Médias, num terreno com duas zonas distintas. A inicial, com algum relevo e arvoredo, onde o chão pedregoso e incerto carecia de algum cuidado para evitar males maiores.A vegetação rasteira escondia bem os pontos, com pernadas mais longas, até á passagem pelo ponto de água colocado perto da zona de partidas. A segunda metade, num terreno saturado de água, pantanoso a espaços, com muitos pontos próximos, sendo necessária uma concentração redobrada para abordar as mudanças de direcção correctamente. Torna-se mais técnico, fazer estes zigue-zagues constantes sem hesitação, e aqui quem navega com mais confiança tem trunfos para jogar.

    Este percurso teve para mim duas fases distintas, tal como o terreno. Ainda a sentir o peso da Longa do dia anterior, e começar logo a subir e descer montes com meia-dúzia de tropeções à mistura nas pedras, foi um valente sacrifício. O cansaço veio do nada e as asneiras também... Dava-me por vezes a metros dos pontos e não via a baliza, e quando fazia corta-matos desviava-me bastante nos azimutes... desliguei o ´computador de bordo´ e voltei a ligar no ponto 8... não podia deixar a cabeça ser vencida pelo corpo... Nada como uma garrafa de água virada pela cabeça abaixo para refrescar as ideias... E venha a parte técnica, a partir daqui... Nem mais um erro... Entrei em velocidade de cruzeiro e fiz tudo certinho até ao final... Bastou controlar o limiar das cãimbras nas pernas, não acelerando demasiado... Foram os melhores minutos que tive no POM 2006.  No final, o 10º lugar, o que seria a melhor classificação dos quatro percursos. Na geral, estava em 13º ao fim do 3º dia, dentro dos objectivos iniciais.

Jorge Santos (M55)

     Com o regresso a casa de parte dos estrangeiros que tinham vindo ao POM 2006 participar essencialmente no percurso de Sábado, para ´aquecer´, e no Domingo, para dar o máximo no WRE, já foi possível ver portugueses entre os 10 primeiros na Elite Masculina e Feminina. O Marco Póvoa foi 4º e o melhor português. Nas senhoras, cinco chegaram ao top 10 neste dia.

Sílvia Delgado (W21A)

Manuel Gomes (M50)

    Acordei na Terça-Feira de Carnaval cheio de vontade para fazer um bom Sprint Urbano. Tinha dado uma volta pelo centro de Abrantes no dia anterior e apercebi-me que o relevo iria ser o maior obstáculo, já que o centro histórico tem ruelas que por vezes embicam em subidas relativamente íngremes. Pelas informações técnicas da organização em relação ao declive dos percursos, era mais que óbvio que uma ida ao Castelo estava no programa.... O Sprint não é das provas que mais me atraem, já que a velocidade de corrida é tendencialmente maior e a Orientação bastante mais simplificada. É do estilo, virar na segunda rua à esquerda, ir até à rotunda e virar à direita... Não se atravessam paredes... Não há tantos rasgos de genialidade no pensar.... É correr e não se enganar... Navegar é mais fácil, mas os erros e hesitações, em tempo, são mais devastadoras nos resultados...

    Foi uma prova curta e sem grande história para contar. Não sendo percurso em que ainda pudesse imprimir grande velocidade, pelo relevo e cansaço acumulado, os pontos foram-se sucedendo sem problemas.

À saída do Castelo pasmei na imediação do ponto 7, por ter outro à vista... houve uma ´branca´ na leitura e interpretação do mapa... não é de admirar, já que o corpo deu o berro total ao entrar no Castelo.... Que raio de mania, fazerem estes monumentos em sítios tão altos.... Curiosamente, este momento ficou registado, já que o colega Jorge Santos, tendo acabado o percurso, estava de atalaia a ver a malta passar... Ainda me pediu para correr para a foto, mas somente após ultrapassar o ´cume´ de Abrantes é que a máquina começou novamente a carburar... A descer, todos os Santos ajudam...

Nuno Pires (H21B)

Daqui para a frente, mais subida menos subida e cheguei ao fim do POM 2006, concluindo todos os percursos e acabando no 12º lugar na geral do H21B, fruto do 13º no Sprint. Cansado, mas satisfeito com o resultado...

    Para a posteridade, ficam algumas fotos do Sprint final de alguns Atletas do CP Telecom, cujo olhar matador após a ´picadela´ do ponto 200 se centra invarialmente no ponto de FINISH...

Bruno Silva (M15)

 

Emanuel Abreu (M45)

Carlos Tenente (H35B)

José e Miguel Diogo (DC)

    Nos escalões de Élite, e fruto do regresso a casa de boa parte da comitiva estrangeira, os Atletas da Eslováquia aproveitaram para, no conjunto dos quatro dias, colocarem três Atletas nos quatro primeiros lugares. A glória foi para o Marian Davidik, cujos 10º, 2º, 2º e 3º lugar em cada dia permitiram arrecadar o lugar maior do pódium. Nos portugueses, Joaquim Sousa, COC, foi o melhor, 10º da geral, em acesa disputa com Tiago Aires, do CPOC. Nas senhoras, Veronica Minoiu do Clube Universidade Craiova foi a primeira, com Kristina Roberto, dos AA Mafra, a fechar o pódium, sendo a melhor portuguesa.

    Dos Atletas do Clube Portugal Telecom, a honra e destaque fica para o mais novo de todos, o Pedro Silva, que participando no escalão M15, um escalão acima da sua idade, arrecadou o 3º lugar geral...

    De regresso a Aveiro, gostaria de salientar que embora o POM 2006 tenha sido um evento bastante agradável de participar, os percursos não foram tecnicamente tão difíceis quanto esperaria numa prova desta dimensão, acabando a balança a pender mais para o lado físico. Baseio-me nos mapas dos percursos efectuados e nos que vi e ouvi dos colegas de Clube. No geral, e com algumas lacunas que poderiam ter sido precavidas de forma alternativa, a organização esteve em bom plano.

   

 


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